quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os 7 Reinos de Exú e Seus Povos









Os Exús estão divididos em sete reinos, sendo sua organização remanescente das organizações tribais em reinos na África Banto. Cada Reino é composto por nove povos de Exu, sendo que cada povo é comandado por um Exu-Chefe/Pombagira Chefe. Em cada reino existem 9 povos, sendo um total de 63 povos de Exú.

Reino das Encruzilhadas
Chefiado por Exu Rei das Sete Encruzilhadas e Pombagira Rainha das Sete Encruzilhadas, governa todas as passagens dos Exus que ali trabalham. Sua função principal é abrir os caminhos para os outros Guias chegarem e também para os filhos e fregueses. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo da Encruzilhada da Rua - Chefe Exu Tranca-Ruas
  • Povo da Encruzilhada da Lira - Chefe Exu Sete Encruzilhadas
  • Povo da Encruzilhada da Lomba - Chefe Exu das Almas
  • Povo da Encruzilhada dos Trilhos- Chefe Exu Marabô
  • Povo da Encruzilhada da Mata - Chefe Exu Tiriri
  • Povo da Encruzilhada da Kalunga - Chefe Exu Veludo
  • Povo da Encruzilhada da Praça - Chefe Exu Morcego
  • Povo da Encruzilhada do Espaço - Chefe Exu Sete Gargalhadas
  • Povo da Encruzilhada da Praia - Chefe Exu Mirim
Reino dos Cruzeiros
Chefiado pelo Ex~u Rei dos Sete Cruzeiros e Pombagira Rainha dos Sete Cruzeiros, governa todas as passagens dos Exus que trabalham nos cruzeiros (não confundir com encruzilhada). Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo do Cruzeiro da Rua - Chefe Exu Tranca Tudo
  • Povo do Cruzeiro da Praza - Chefe Exu Kirombó
  • Povo do Cruzeiro da Lira - Chefe Exu Sete Cruzeiros
  • Povo do Cruzeiro da Mata - Chefe Exu Mangueira
  • Povo do Cruzeiro da Kalunga - Chefe Exu Kaminaloá
  • Povo do Cruzeiro das Almas - Chefe Exu Sete Cruzes
  • Povo do Cruzeiro do Espaço - Chefe Exu 7 Portas
  • Povo do Cruzeiro da Praia - Chefe Exu Meia Noite
  • Povo do Cruzeiro do Mar - Chefe Exu Kalunga (Kalunga grande)
Reino das Matas
Chefiado pelo Exú Rei das Matas e Pombagira Rainha das Matas. Governa todos os Exús que trabalham nas matas ou locais que tenham árvores a exceção do Cemitério, que pertence a outro reino. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo das Árvores - Chefe Exu Quebra Galho
  • Povo dos Parques - Chefe Exu das Sombras
  • Povo da Mata da Praia - Chefe Exu das Matas
  • Povo das Campinas - Chefe Exu das Campinas
  • Povo das Serranias - Chefe Exu da Serra Negra
  • Povo das Minas - Chefe Exu Sete Pedras
  • Povo das Cobras - Chefe Exu Sete Cobras
  • Povo das Flores - Chefe Exu do Cheiro
  • Povo da Sementeira - Chefe Exu Arranca Tôco
Reino da Calunga Pequena (Cemitério)
Governado pelo Exú Rei das Sete Calungas e Pombagira Rainha das Sete Calungas. Esses Exus também são chamados pelo nome de Rei e Rainha dos Cemitérios. Geralmente quando se diz "calunga" nas giras de umbanda é para nomear o cemitério. Trabalham neste reino todos os Exu que moram dentro dos cemitérios exclusivamente. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo das Portas da Kalunga.- Chefe Exu Porteira
  • Povo das Tumbas.- Chefe Exu Sete Tumbas
  • Povo das Catacumbas.- Chefe Exu Sete Catacumbas
  • Povo dos Fornos.- Chefe Exu da Brasa
  • Povo das Caveiras.- Chefe Exu Caveira
  • Povo da Mata da Kalunga.- Chefe Exu Kalunga (conhecido também como Exu dos Cemitérios)
  • Povo da Lomba da Kalunga.- Chefe Exu Corcunda
  • Povo das Covas - Chefe Exu Sete Covas
  • Povo das Mirongas e Trevas - Chefe Exu Capa Preta (conhecido também como Exu Mironga)
Reino das Almas
Chefiado por Exú Rei das Almas Omulú e Pombagira Rainha das Almas. Eles também são conhecidos por Rei e Rainha da Lomba, porque governam todos os Exús que trabalham em locais altos. Porém, os Exús deste reino também trabalham em hospitais, igrejas, etc. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo das Almas da Lomba - Chefe Exu 7 Lombas
  • Povo das Almas do Cativeiro- Chefe Exu Pemba
  • Povo das Almas do Velório- Chefe Exu Marabá
  • Povo das Almas dos Hospitais - Chefe Exu Curadô
  • Povo das Almas da Praia - Chefe Exu Giramundo
  • Povo das Almas das Igrejas e Templos - Chefe Exu Nove Luzes
  • Povo das Almas do Mato - Chefe Exu 7 Montanhas
  • Povo das Almas da Kalunga - Chefe Exu Tatá Caveira
  • Povo das Almas do Oriente - Chefe Exu 7 Poeiras
Reino da Lira
Os chefes deste reino são muito mais conhecidos por seus nomes sincréticos: Exu Lúcifer e Pombagira Maria Padilha, sendo na verdade seus nomes kimbandeiros Exu Rei das Sete Liras e Rainha do Candomblé (ou Rainha das Marias). Seus apelidos kimbandeiros mostram justamente sua afinidade pela dança, a música e a arte. Dentro do reino da Lira, que também às vezes é chamado "reino do candomblé" não pelo culto africanista aos orixás, senão por ser essa palavra, o sinônimo de dança e música ritual. Trabalham aqui todos os Exus que tem que ver com a arte, a música, poesia, boemia, artes ciganas, malandragem, etc. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo dos Infernos - Chefiado por Exu dos Infernos
  • Povo dos Cabarés - Chefiado por Exu do Cabaré
  • Povo da Lira - Chefiado por Exu Sete Liras
  • Povo dos Ciganos - Chefiado por Exu Cigano
  • Povo do Oriente - Chefiado por Exu Pagão
  • Povo dos Malandros - Chefiado por Exu Zé Pelintra
  • Povo do Lixo - Chefiado por Exu Ganga
  • Povo do Luar - Chefiado por Exu Malé
  • Povo do Comércio - Chefiado por Exu Chama Dinheiro
Reino da Praia
Governado por Exu Rei da Praia e Rainha da Praia. Dentro dele encontram-se todos os Exus que trabalham nas praias, perto d'água o ainda dentro dela, podendo ser salgada ou doce. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo dos Rios - Chefiado por Exu dos Rios
  • Povo das Cachoeiras - Chefiado por Exu das Cachoeiras
  • Povo da Pedreira - Chefiado por Exu da Pedra Preta
  • Povo do Marinheiros - Chefiado por Exu Marinheiro
  • Povo do Mar - Chefiado por Exu Maré
  • Povo do Lodo - Chefiado por Exu do Lodo
  • Povo dos Baianos - Chefiado por Exu Baiano
  • Povo dos Ventos - Chefiado por Exu dos Ventos
  • Povo da Ilha.- Chefiado por Exu do Côco
Os Exús estão divididos em sete reinos, sendo sua organização remanescente das organizações tribais em reinos na África Banto. Cada Reino é composto por nove povos de Exu, sendo que cada povo é comandado por um Exu-Chefe/Pombagira Chefe. Em cada reino existem 9 povos, sendo um total de 63 povos de Exú.

Reino das Encruzilhadas
Chefiado por Exu Rei das Sete Encruzilhadas e Pombagira Rainha das Sete Encruzilhadas, governa todas as passagens dos Exus que ali trabalham. Sua função principal é abrir os caminhos para os outros Guias chegarem e também para os filhos e fregueses. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo da Encruzilhada da Rua - Chefe Exu Tranca-Ruas
  • Povo da Encruzilhada da Lira - Chefe Exu Sete Encruzilhadas
  • Povo da Encruzilhada da Lomba - Chefe Exu das Almas
  • Povo da Encruzilhada dos Trilhos- Chefe Exu Marabô
  • Povo da Encruzilhada da Mata - Chefe Exu Tiriri
  • Povo da Encruzilhada da Kalunga - Chefe Exu Veludo
  • Povo da Encruzilhada da Praça - Chefe Exu Morcego
  • Povo da Encruzilhada do Espaço - Chefe Exu Sete Gargalhadas
  • Povo da Encruzilhada da Praia - Chefe Exu Mirim
Reino dos Cruzeiros
Chefiado pelo Ex~u Rei dos Sete Cruzeiros e Pombagira Rainha dos Sete Cruzeiros, governa todas as passagens dos Exus que trabalham nos cruzeiros (não confundir com encruzilhada). Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo do Cruzeiro da Rua - Chefe Exu Tranca Tudo
  • Povo do Cruzeiro da Praza - Chefe Exu Kirombó
  • Povo do Cruzeiro da Lira - Chefe Exu Sete Cruzeiros
  • Povo do Cruzeiro da Mata - Chefe Exu Mangueira
  • Povo do Cruzeiro da Kalunga - Chefe Exu Kaminaloá
  • Povo do Cruzeiro das Almas - Chefe Exu Sete Cruzes
  • Povo do Cruzeiro do Espaço - Chefe Exu 7 Portas
  • Povo do Cruzeiro da Praia - Chefe Exu Meia Noite
  • Povo do Cruzeiro do Mar - Chefe Exu Kalunga (Kalunga grande)
Reino das Matas
Chefiado pelo Exú Rei das Matas e Pombagira Rainha das Matas. Governa todos os Exús que trabalham nas matas ou locais que tenham árvores a exceção do Cemitério, que pertence a outro reino. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo das Árvores - Chefe Exu Quebra Galho
  • Povo dos Parques - Chefe Exu das Sombras
  • Povo da Mata da Praia - Chefe Exu das Matas
  • Povo das Campinas - Chefe Exu das Campinas
  • Povo das Serranias - Chefe Exu da Serra Negra
  • Povo das Minas - Chefe Exu Sete Pedras
  • Povo das Cobras - Chefe Exu Sete Cobras
  • Povo das Flores - Chefe Exu do Cheiro
  • Povo da Sementeira - Chefe Exu Arranca Tôco
Reino da Calunga Pequena (Cemitério)
Governado pelo Exú Rei das Sete Calungas e Pombagira Rainha das Sete Calungas. Esses Exus também são chamados pelo nome de Rei e Rainha dos Cemitérios. Geralmente quando se diz "calunga" nas giras de umbanda é para nomear o cemitério. Trabalham neste reino todos os Exu que moram dentro dos cemitérios exclusivamente. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo das Portas da Kalunga.- Chefe Exu Porteira
  • Povo das Tumbas.- Chefe Exu Sete Tumbas
  • Povo das Catacumbas.- Chefe Exu Sete Catacumbas
  • Povo dos Fornos.- Chefe Exu da Brasa
  • Povo das Caveiras.- Chefe Exu Caveira
  • Povo da Mata da Kalunga.- Chefe Exu Kalunga (conhecido também como Exu dos Cemitérios)
  • Povo da Lomba da Kalunga.- Chefe Exu Corcunda
  • Povo das Covas - Chefe Exu Sete Covas
  • Povo das Mirongas e Trevas - Chefe Exu Capa Preta (conhecido também como Exu Mironga)
Reino das Almas
Chefiado por Exú Rei das Almas Omulú e Pombagira Rainha das Almas. Eles também são conhecidos por Rei e Rainha da Lomba, porque governam todos os Exús que trabalham em locais altos. Porém, os Exús deste reino também trabalham em hospitais, igrejas, etc. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo das Almas da Lomba - Chefe Exu 7 Lombas
  • Povo das Almas do Cativeiro- Chefe Exu Pemba
  • Povo das Almas do Velório- Chefe Exu Marabá
  • Povo das Almas dos Hospitais - Chefe Exu Curadô
  • Povo das Almas da Praia - Chefe Exu Giramundo
  • Povo das Almas das Igrejas e Templos - Chefe Exu Nove Luzes
  • Povo das Almas do Mato - Chefe Exu 7 Montanhas
  • Povo das Almas da Kalunga - Chefe Exu Tatá Caveira
  • Povo das Almas do Oriente - Chefe Exu 7 Poeiras
Reino da Lira
Os chefes deste reino são muito mais conhecidos por seus nomes sincréticos: Exu Lúcifer e Pombagira Maria Padilha, sendo na verdade seus nomes kimbandeiros Exu Rei das Sete Liras e Rainha do Candomblé (ou Rainha das Marias). Seus apelidos kimbandeiros mostram justamente sua afinidade pela dança, a música e a arte. Dentro do reino da Lira, que também às vezes é chamado "reino do candomblé" não pelo culto africanista aos orixás, senão por ser essa palavra, o sinônimo de dança e música ritual. Trabalham aqui todos os Exus que tem que ver com a arte, a música, poesia, boemia, artes ciganas, malandragem, etc. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo dos Infernos - Chefiado por Exu dos Infernos
  • Povo dos Cabarés - Chefiado por Exu do Cabaré
  • Povo da Lira - Chefiado por Exu Sete Liras
  • Povo dos Ciganos - Chefiado por Exu Cigano
  • Povo do Oriente - Chefiado por Exu Pagão
  • Povo dos Malandros - Chefiado por Exu Zé Pelintra
  • Povo do Lixo - Chefiado por Exu Ganga
  • Povo do Luar - Chefiado por Exu Malé
  • Povo do Comércio - Chefiado por Exu Chama Dinheiro
Reino da Praia
Governado por Exu Rei da Praia e Rainha da Praia. Dentro dele encontram-se todos os Exus que trabalham nas praias, perto d'água o ainda dentro dela, podendo ser salgada ou doce. Os seguintes povos pertencem a este reino:
  • Povo dos Rios - Chefiado por Exu dos Rios
  • Povo das Cachoeiras - Chefiado por Exu das Cachoeiras
  • Povo da Pedreira - Chefiado por Exu da Pedra Preta
  • Povo do Marinheiros - Chefiado por Exu Marinheiro
  • Povo do Mar - Chefiado por Exu Maré
  • Povo do Lodo - Chefiado por Exu do Lodo
  • Povo dos Baianos - Chefiado por Exu Baiano
  • Povo dos Ventos - Chefiado por Exu dos Ventos
  • Povo da Ilha.- Chefiado por Exu do Côco

EXU REI DAS SETE ENCRUZILHADAS


Esta entidade se apresenta como um homem de idade avançada, de pele escura, barba e olhos vermelhos, cor de brasa.
Traz a metade do seu corpo (o lado esquerdo) queimado, sendo que sua perna esquerda não funciona bem, por isto é muito comum que se apóie em um bastão.
Prefere beber whisky de boa qualidade e fumar charutos grossos, sua voz é rouca, grave e forte.
Quando está manifestado em algum médium, gosta também de farofa.
Seu olhar é insustentável e quando se fixa em alguém, parece que o atravessa, sabendo seus segredos mais íntimos.
As pessoas que o conhecem sentem certa autoridade nele e o respeitam.
Se desmancha em passagens que envia ao mundo para que transmitam suas mensagens através de seus cavalos (médiuns), sendo que isto acontece com todas as demais Entidades de Kimbanda.
Sua vestimenta quase sempre é em tons vermelho e negro, com toques brancos e às vezes dourados (quando fora da Encruzilhada da Lira), prefere a capa e a cartola.
Gosta de trabalhar com pouco público, em sessões que tenham força espiritual, onde os que nelas se encontram estejam concentrados ao máximo para dar o melhor de si.
Não é importante a quantidade, e sim a qualidade e o resultado final da cerimônia.
Em sua última encarnação foi um Tatá Nganga banto, que foi trazido como escravo ao Brasil.
Começou chegando na Umbanda, como um "exu de baixo" e foi levantado para "o alto" quando se fizeram os sacrifícios correspondentes na Kimbanda.
Quando lhe perguntamos porque se denominava "da Lira" respondeu:
"Lira é uma cidade africana, que fica nas fronteiras orientais do Reino Baganda, de lá venho eu..."
Tem um caráter sério, amável e tranquilo, mas também pode ser enérgico e enojar-se quando há algo que ele não gosta.
Tem prazer em ensinar e doutrinar, por isto sempre está tirando dúvidas a todo aquele que lhe faça perguntas, desde as perguntas mais insólitas como:
"porque há estrelas..." até as mais comuns como "quero saber se meu marido me engana..."
Apesar do Exu Rei das 7 Encruzilhadas tenha sido posto em um lugar privilegiado por alguns autores (os que escreveram com muita subjetividade), ele mesmo afirma que não é o Rei absoluto da kimbanda e sim que apenas é um dos principais.
É rígido e severo quanto a seguir as tradições e que os rituais se cumpram passo a passo como deve ser, mesmo que como todo "exu" está aberto a mudanças, às movimentações e inovações, sempre e quando os mesmos sejam feitos pelos próprios Exus.

Exú GOGO


Exú GOGO

• Este caminho de Exu *Divino Executor*. É conhecido também como o Exu responsável pela recompensa divina a todos os atos dos seres humanos (e também dos seres espirituais). Exu Gogó conhece todas as nossas reencarnações estende sua ação através destes diversos ciclos encarnatórios. Aquilo que costumamos chamar lei do retomo é exatamente a função do exú Gogó fazer este retorno acontecer: O bem recompensado com o bem; o mal recompensado com o mal. Dentro destas atribuições de cobrança espiritual e material encontra-se sempre a chance de todos se arrependerem, pagarem por seus erros e tomarem um outro ritmo de vida. Quando isto não acontece numa vida, poderá ser resgatado numa próxima encarnação.

Oriki:
EXÚ GOG Ó O, ORI MI MA JE NKO O. EX Ú GOGO O, OR Í MA JE NKO O. EB LOWO RE GOGO? O OKAN LOWO EX Ú GOG Ó BABA AWO. AXÉ.
Tradução:
Divino Mensageiro do Pleno Pagamento guie minha cabeça para o pleno caminho. Divino Mensageiro do Pleno Pagamento guie minha cabeça para o reto caminho. Quanto tu estas pedindo para o Divino Mensageiro do Pleno Pagamento? O Divino Mensageiro do Pleno Pagamento, o Pai do Mistério, está pedindo por um centavo. Que assim seja.

Qualidades do Orixá Esu

Qualidades do Orixá Esu

Exu Oro
Exu Oro é o responsável pela transmissão do poder através da fala. Ele é quem dá para os sacerdotes e sacerdotisas o poder de acionar as forças espirituais através das evocações sagradas: preces , encantações , cânticos . Existem algumas palavras de grande axé usadas nos rituais sagrados que muitas vezes não se conhece a tradução. Elas funcionam como códigos para abrir certos portais do mundo Invisível (ORUN), acionando o poder para transformar nossas vidas. Somente Exu Oro conhece estes segredos, e somente ele pode dar a autorização necessária para entrarmos nestes mistérios.

Oriki : Exu Oro ma ni ko. Exu Oro ma ja ko. Exu Oro Tohun tire site. Exu Oro Ohun Otohun ni ima wa kiri. Axé
Tradução; O Divino Mensageiro do Poder da Palavra causa confronto. Divino Mensageiro do Poder da Palavra não me cause confronto. O Divino Mensageiro do Poder da Palavra tem a voz do poder. O Divino Mensageiro do Poder da Palavra tem uma voz que ressoa por todo o Universo.
Que assim seja (axé).

Exu Opin
É o Exu que deve ser evocado sempre que queremos estabelecer um local como sagrado. É ele quem faz a demarcação dos limites que separam o espaço sacralizado do espaço comum. Fazem-se uma construção qualquer e nela queremos instalar os nossos assentamentos de Orixás, além de evocar o exu do nosso caminho pessoal será necessário pedir a Exu Opin que aceite uma oferenda para consagrar o lugar. A partir daquele local deve passar a ser usado exclusivamente para fins religiosos, e deve haver uma separação bem nítida entre este espaço e o espaço livre para a circulação.

No caso de se colocar, por exemplo, um assentamento dentro de casa, é aconselhável colocá-lo sobre uma esteira e, se possível cercar em volta com uma outra esteira. Sempre pedindo a exu Opin para sacratizar o ambiente, não importa a localização ou tamanho. Isto é válido, também, para os ambientes ritualísticos estabelecidos ao ar livre.

EXU

Exú WARA
Ele é o exú que controla os relacionamentos Interpessoais. Ou seja: amizade, sociedade de negados, casamento, companheirismo de trabalho, vinculo familiar, fraternidade religiosa... Enfim, todos os tipos de relacionamentos só possuem um estado de plena compreensão, harmonia e verdadeira colaboração quando aprovados por EXÚ WARA.
Sempre que se planeja estabelecer um novo vinculo é aconselhável consular Exú Wara e, de preferência, fazer-lhe uma oferenda de apaziguamento, para que tudo possa ocorrer sempre na mais perfeita ordem, sem possibilidades de atrito, confusão, mal-entendidos, etc...

Oriki de Exu WARA:
EXÚ WARA NA WA O. EXÚ WARA O. EXÚ WARA NA WA KO MI O, EXÚ WARA O. BA MI WA IYAWO O, EXÚ WARA O. MA JE ORI MI O BAJE O, EX Ú WARA O. ME JE ILE MI O DARU. EXÚ WARA O, AXÉ.
Tradução: Divino Mensageiro dos Relacionamentos Pessoais traga a boa fortuna. Divino Mensageiro dos relacionamentos pessoais. Divino Mensageiro dos Relacionamentos Pessoais.

AS QUALIDADES MAIS CONHECIDAS SÃO:

Exú Elegbára = senhor do poder
Exú Yangi = pedra vermelha de laterita, primeira plataforma existente – água + terra
Exú Àgbá = pai-ancestral (representação coletiva de todos os exus individuais)
Exú Obá = rei-de-todos
Exú Alakétu = título dado a exú pelos kétu da Bahia - rei do povo Kétu
Exú Elebo = senhor-das-oferendas
Exú Ojìse-ebo = encarregado e transportador de oferendas
Exú Elérú = senhor do erú (carrego)
Exú Olòbe = proprietário e senhor da faca
Exú Enú-gbárijo = explicita dor de mensagens
Exú Bara = o rei do corpo (obá + ara) (princípio de vida individual)
Exú Odara = aquele que guia (mostra o caminho, vai na frente)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Exús e Pombas Giras


Temos que começar a mudar nossos conceitos de Exú e Pomba Gira. Vamos a partir de agora ver o Exú e a Pomba Gira como aquela polícia que guarda e toma conta das ruas obedecendo sempre uma hierarquia de comando, que é o Exú chefe do Terreiro, e acima dele os guias chefes da Casa. Podemos também ver os Exús como aqueles lixeiros alegres que passam pelas ruas recolhendo toda a “sujeira”. Vêm com brincadeiras e algazarras, mas fazem um trabalho enorme em benefício da sociedade, que diga-se de passagem é muito pouco reconhecido. E as Pomba-giras seriam  as “margaridas” mulheres que trabalham também na limpeza de nossas ruas e nossa cidade, exercendo a sua profissão com presteza e determinação. Assim como devemos ter um conceito mais respeitoso do Exú, devemos também dedicar mais respeito aos trabalhos das Pombas Giras, deixando de encará-las como mulheres vulgares e da vida, que só vêm “para arranjar casamento” ou o que é pior, para desfazer casamentos... Isto é uma coisa absurda e vulgar... O trabalho da Pomba Gira é sério.  É também um trabalho de descarrego, de limpeza, de união entre as pessoas. De abertura dos caminhos da vida, seja do ponto de vista material, mental ou espiritual.
       
A saudação aos Exus: A saudação ao Exú é LARÓYÈ = salve, que também quer dizer salve compadre, boa noite “moça”. Exú é MOJUBÁ - Moju (Viver a noite) Bá (armar emboscadas) ou seja “armar emboscadas vivendo a noite”.  Mas na Umbanda o trabalho dos Exús é o de guardião. Assim ao cumprimenta-lo estamos dizendo: Salve aquele que vive à noite e que arma emboscadas. Assim estamos reconhecendo seu poder e ao mesmo tempo estamos pedindo “Àquele que vive a noite, que nos livre das emboscadas”.
      

Bebidas: Gostam muito de  bebidas voláteis e o aguardente está entre elas ao qual dão o nome de malafo ou marafo, conhaque, cerveja e outras bebidas fortes. As Pomba-giras gostam de anis e champanhe. Não há necessidade de o médium ingerir a bebida, pois a mesma pode ficar num copo e o Exú ou Pomba-gira trabalhar com a sua energia utilizando  o conteúdo astral da bebida.

Comidas: Os Exús e Pomba Gira gostam de farofa, dendê, cebola, pimenta, limão, semente de mamona, e as Pombas Giras de enfeites e adornos, sem contar que gostam muito se suas oferendas enfeitadas com Rosas Vermelhas.

Alguns Nomes de Pomba Gira: Pomba Gira do Cruzeiro, do Cais, da Calunga, do Cemitério, Padilha, Mulambo, Cigana, Ciganinha, da Calunga, Maria Bonita, Rosa Maria, Maria Rosa, Maria Rita, Rosa vermelha, Rosa do cruzeiro, Sete Véus, Sete cravos, da Encruza..

Alguns Nomes de Exú: Sete Encruzilhadas, Veludo, Caveira, Tranca Ruas, Caveirinha, Exú Campina, Exú do Cruzeiro, Calunga, do Lodo, Lalu, da Madrugada, da Meia Noite, Mangueira, Mulambo, Mulambinho, Malandro, Malandrinho, Gira Mundo, Tiriri, Marabô, Sete Capas, Cadeado, dos Rios, da Cachoeira, dos Ventos, da Praia, Quebra Galho, Sete Covas, Sete Catacumbas, Sete Luas, Sete Sombras, Três Punhais, Três Cruzes, Sete Chaves, Tranca Tudo, Tira Teima, Zé Pilintra e muitos outros.

Hierarquia dos Exús: Os Exús e Pomba-giras prestam obediência ao Chefe da Casa. No caso da Casa Branca é o Exú das Sete encruzilhadas.

Exú Tronqueira: Não confundir o trabalho do  Exú guardião com o trabalho do EXÚ TRONQUEIRA. O Exú Tronqueira  é aquele que guarda o Terreiro e passa por uma triagem às pessoas que entram no Terreiro. Por isso a sua casa  é colocada junto à porta de entrada e é a primeira a ser saudada. Todos devemos ter o máximo de respeito do Exú Tronqueira, pois se uma Gira corre bem e firme devemos agradecer principalmente a ele.
        
        O quadro abaixo traz a vinculação dos Exús às Linhas e o significado do seu nome. 

 OS EXÚS, SEUS NOMES E SEUS SIGNIFICADOS OU REPRESENTAÇÃO
SETE LINHAS EXÚ GUARDIÃO SIGNIFICADO DO NOME
OXALÁ SETE ENCRUZILHADAS
Representa os diversos caminhos abertos em nossas vidas; representa ainda o livre-arbítrio professado na religião de Umbanda e conseqüentemente nossa liberdade na escolha de nosso próprio caminho.
IEMANJÁ E NANÃ MARABÔ
MA: Verdadeiramente  
RA: envolver  
ABÔ: proteção  
Aquele que envolveu perfeitamente com sua proteção ou Salve aquele cuja força protege
OMOLU CAVEIRA
Representa nossa mais profunda transformação, aquela onde nossa parte material já se encontra em profunda degradação e, no entanto, nossa alma permanece em evolução.
OXOSSI E OSSÃE SETE CAPAS Representa o momento de transição final; é o Exú da hora da passagem; responsável pelo corte do cordão fluídico no momento final dos filhos de Umbanda.
XANGÔ E IANSÃ TIRIRI
TI: com grande força  
RIRI: valor e mérito.  
Aquele que protege com grande força aos que tem valor e mérito.
OXUM E OXUMARÉ VELUDO Representa a doçura, a delicadeza mas também a força, a resistência. Representa ainda a riqueza material e espiritual trazidas pela Linha à qual serve.
OGUM E IBEJI TRANCA-RUAS Representa um grande poder de defesa para aqueles que a ele se dirigem; defesa contra aqueles que nos desejam o mal, contra nós mesmos e contra aqueles pensamentos e ações que tendem a impedir nossa evolução.



















Conversando sobre Exu

Dizem que Exu é um homem sério, castigador, espírito sem compaixão alguma. Muitos falam que nem mesmo sentimento essas entidades apresentam. Muitos temem Exu, relacionando – o com o Diabo ou com algum monstro cavernoso que a mente humana é capaz de criar.
 Bem, dia desses, no campo santo de meu pai Omulu, vi algo inusitado que me fez pensar...
 Um desses Exus Caveiras, que apresentam essa forma plasmada como meio de ligação a falange pertencente, chorava sobre um túmulo. Discretamente, isso devo dizer, afinal os Caveiras em sua maioria são de natureza recatada e introspectiva, mas chorava sim.
 Engraçado pensar nessa situação, não é mesmo? Ele chorava pelos erros do passado, chorava por uma pessoa a qual amava muito, mas não mais perto dele estava. Claro, sabia que ninguém morria, mas a saudade e o remorso apertavam fundo seu coração.
 Isso acontece muito no plano espiritual, onde muitas vezes os laços são quebrados devido às diferenças vibratórias. Na verdade o laço não se quebra, apenas afrouxam-se um pouco...
 Mas, voltando a nossa história, fiquei a pensar muito sobre aquele tipo de visão. Pensei que ninguém acreditaria em mim caso eu contasse esse “causo”, afinal, Exu é homem acima do bem e do mal, exu não tem sentimento, exu não chora...
 E para aqueles então que endeusam “seu” Exu, pensando ser ele um grande guardião, espírito da mais alta elite espiritual, espírito corajoso, sem medos, violento guerreiro das trevas. Exu acaba assumindo na Umbanda um arquétipo, ou mito, tão supra–humano, que muitas vezes ele deixa de ser apenas o mais humano das linhas de Umbanda. Arquétipo esse, diga–se de passagem, muito diferente do Orixá Exu, arquétipo base para a formação do que chamamos de Linha de Esquerda dentro do ritual de Umbanda.
É, eu acho que todo Exu chora. Assim como eu e você também. Inclusive, todo mundo chora, pois todos temos dores, remorsos e tristezas. Isso é humano. Mas, voltando ao campo santo...
 Logo vi um Exu, vestindo uma longa capa preta, se aproximar do triste amigo Caveira. O que conversaram não sei, pois não ouvi, e muito menos dotado da faculdade de ler os pensamentos deles eu estava. Mas uma coisa é certa: Os dois saíram a gargalhar muito!
 “Engraçado, como é que pode? Tava chorando até agora, e de repente sai rindo de uma hora pra outra?” _ pensei contrariado.
Fiquei alguns dias refletindo sobre isso, e cheguei a uma conclusão. A principal característica de um Exu é o seu bom – humor. Afinal, mesmo em situações muito complicadas, eles sempre têm uma gargalhada boa para dar. Na pior situação, mesmo que de forma sarcástica, eles se divertem. Ele pode escrever certo por linhas tortas, errado por linhas retas, errado em linhas tortas ou sei lá mais o que, mas uma coisa é certa, vai escrever gargalhando.
 Admiro esse aspecto de Exu. Tem gente que de tanto trabalhar com Exu torna – se sério, “faz cara de mau”, vive reclamando da vida além de tornar – se um grande julgador.
 A verdade é que nunca vi Exu reclamar de nada, nem julgar a ninguém. Pelo contrário, o que vejo é que Exu nos ensina a não reclamar da vida, pois tem gente que passa por coisa muito pior e o faz com honra e... Bom – humor!
 Vejo também que Exu não julga ninguém, afinal, quem é ele, ou melhor, quem somos nós para julgarmos alguém? Exu ensina que o que nós muito condenamos, assim o fazemos porque isso incomoda. E saber por quê? Porque tudo que condenamos está em nós antes de estar nos outros.
 Por isso Exu não gosta daquele que é um falso pregador, aquele que vive dizendo como os outros devem agir, vive dizendo o que é certo, vive alertando os outros contra a vaidade, vive julgando, mas no dia – dia pouco aplica as regras que impõe para os outros. O mundo está cheio deles. E Exu sorri quando encontra um desses. Mais para frente eles serão engolidos por si mesmos. Pela própria sombra. Mas Exu não ri porque fica feliz com isso, muito pelo contrário, ele até sente por aquela pessoa. Mas já que não dá pra fazer outra coisa, o melhor é sorrir mesmo, não é?
 O certo é que a linha de Exu nos coloca frente a frente com o inimigo! Mas aqui não estamos falando de nenhum “kiumba”, mas sim de nós mesmos. O que eu já vi de médium perdendo a compostura quando “incorporado” com Exu não é brincadeira. Muitos colocam suas angústias pra fora, outros seus medos e inseguranças, muitos seus complexos de inferioridade. Tudo isso Exu permite, para que a pessoa perceba o quanto ela é complicada e enrolada naquele sentido da vida.
 Mas dizem que o pior cego é aquele que não quer ver, e o que tem de gente que não quer enxergar os próprios defeitos...
E não sobra opção a Exu, a não ser sorrir e sorrir mesmo quando nós nos damos mal.
 Mas, ainda falando dos múltiplos aspectos contraditórios de Exu, pois ele é a contradição em pessoa, devo ainda relatar mais uma experiência contraditória em relação a sua natureza.
Dia desses, depois de um “pesado trabalho de esquerda”, fiquei refletindo sobre algumas coisas. E sempre que assim eu faço, algo estranho acontece.
 Nesse trabalho, muitos kiumbas, espíritos assediadores, obsessores, eguns, ou sei lá o nome que você queiram dar, foram recolhidos e encaminhados pelas falanges de Exu que lá estavam presentes.
 Sabe como é, na Umbanda, a gente não pega um livro pesado e começa a doutrinar os espíritos “desregrados da seara bendita”. A gente entra com a energia, com a mediunidade e com os sentimentos bacanas, deixando o encaminhamento e “doutrinação” desses amigos mais revoltados nas mãos dos guias espirituais.
 Esse trabalho foi complicado. Muitos, na expressão popular, estavam “demandando o grupo”, ou seja, estavam perseguindo nosso grupo de trabalho e assistência espiritual, pois tinham objetivos e finalidades diversas e opostas. Ninguém tinha arriado um ebó na encruzilhada contra a gente, eram atuações vindas de inteligências opostas ao trabalho proposto e atraídas pelas “brechas vibratórias” de nossos próprios sentimentos e pensamentos. Mas que na Umbanda ainda acha – se que tudo que acontece de errado é culpa de algum ebó na encruzilhada, isso é verdade... 
 Bom, o que sei é que alguns dias depois, durante a noite, enquanto eu dormia, alguém me levou até um estranho lugar. Eu estava projetado, desdobrado, desprendido do corpo físico, ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Fenômeno esse muito estudado por diversas culturas espiritualistas do mundo. Fenômeno esse muito comum também dentro da Umbanda, mas pouco estudado, afinal, muitos pensam que Umbanda é “só incorporar” os guias e de preferência de forma inconsciente! Sei, sei...Olha Exu gargalhando novamente!
 Nesse local, um monte de espíritos eram levados até a mim e eu projetava energias de cura em relação a eles. Vi várias pessoas projetadas no ambiente, inclusive gente muito próxima, do grupo.
Alguns pouco conscientes, outros ainda nada conscientes. Mas, o importante, era a energia mais densa que vinha pelo cordão de prata e que auxiliava no tratamento daqueles irmãos sofredores. 
Por quanto tempo fiquei lá não sei, afinal, a noção de tempo e espaço é muito diferente no plano astral. O que sei é que em um certo momento um Exu, que tomava conta do ambiente, veio conversar comigo:
_Tá vendo quanto espírito a gente tem “pego” daquelas reuniões que vocês fazem? _ perguntou o amigo Exu.  
_ Nossa, quantos! Muito mais do que eu podia imaginar.
_ E isso não é nada, comparado aos milhares que chegam, diariamente, “nas muitas casas” dos guardiões da Umbanda espalhados pelo Brasil.  
_Poxa, mas isso é sinal que o pessoal anda trabalhando bem, não é mesmo?
_ Hahahaha, mas você é um idiota mesmo, né? Desde quando fazer isso é um bom trabalho? Milhares chegam, mas sabem quantos saem daqui? Poucos! A maioria também para servir as falanges de Exu. O grande problema é que os médiuns de Umbanda, pouco ou nada cuidam dos que aqui ficam precisando de ajuda.  
_ Nossa missão aqui é transformar os antigos valores desses espíritos, mesmo que seja através da dor. Mas, depois disso, muitos precisam ser curados, tratados. E dessa parte os umbandistas não querem nem saber!
_Ah, ainda eu pego o maldito que disseminou que Umbanda só serve para cortar magias negras e resolver dificuldades materiais. Vocês adoram falar sobre amor e caridade, mas quase ninguém se importa em vir até aqui cuidar desses que vocês mesmos mandaram para cá.  
_ É que muitos não sabem como fazer isso amigo! _ tentei eu defender os umbandistas.
_ Claro que não sabem! Só se preocupam em “cortar demandas”, combater feitiços e destruir “demônios das trevas”. Grandes guerreiros! Mas nada fazem sem os vossos Exus, parecendo mais grandes bebês chorões querendo brincar de guerra!  
 _ Lembre–se bem. Todos que a mão esquerda derrubar terão que subir pela mão direita. Essa é a Lei. Comecem a se conscientizar que ninguém aqui gosta de ver o sofrimento alheio. Comecem a ter uma visão mais ampla do universo espiritual e da forma como a Umbanda relaciona – se com ele.  
 _Dedique – se mais a esses que são encaminhados nos trabalhos espirituais. Ore por eles, faça uma vibração por eles, tratem – os com a luz das velas e do coração. Busquem o conhecimento e forma de auxiliá–los. 
  _Quero ver se amanhã, quando você não agüentar mais o chicote, e não tiver ninguém para te estender a mão, você vai achar tão “glamuroso” esse ciclo infernal de demandas, perseguições e magias negativas. Isso aqui é só sujeira, ódio, desgraça e tristeza. Poucos têm coragem de pousar os olhos sobre essas paragens sombrias.  
 _ É, isso é verdade. Muitos falam, mas poucos realmente conhecem a verdadeira situação do astral inferior a qual a Umbanda e toda a humanidade está ligada, não é mesmo?
 _Hahaha, até que você não é tão idiota! Olha, vou dar um jeito de você lembrar essa conversa ao acordar. Vê se escreve isso pros seus amigos umbandistas! E para de reclamar da vida. Quer melhorar? Trabalhe mais! 
 _ Tá certo seu Exu Ganga. Só mais uma coisa. Um dia desses li num livro que Ganga é uma falange relacionada ao “lixo”. Mas você apresenta–se como um negro e ao julgar por esses facões nas vossas mãos, acho que nada tem a ver com o lixo...
 _ Lixo é esse livro que você andou lendo! Ganga é uma corruptela do termo Nganga, do tronco lingüístico bantu. Quer dizer “o mestre”, aquele que domina algo. O termo foi usado por muitos, desde sacerdotes até mestres na arte da caça, da guerra, da magia, etc. Algo parecido com o Kimbanda, mas esse, mais relacionado diretamente a cura e a prática de Mbanda. A linha de Exus Ganga é formada por antigos sacerdotes e guerreiros negros. É isso! Vê se queima a porcaria do livro onde você leu essa besteira de “lixo”... 
 Pouca coisa lembro depois disso.  
 Despertei no corpo físico, era madrugada e não fui dormir mais. Agora estou acabando de escrever esse texto, onde juntei duas experiências em relação a Exu. Não sei porque fiz isso, talvez pelo caráter desmistificador da sua figura.  
Pra falar a verdade, essas duas estórias são bem diferentes. Primeiro um Exu que chora, sorri e ensina o bom – humor, o auto – conhecimento e o não julgamento. Depois um Exu que preocupa – se com o “pessoal lá de baixo”. Diferente, principalmente daquilo que estamos acostumados a ouvir dentro do meio umbandista.
 Talvez Exu esteja mudando. Talvez nós, médiuns e umbandistas, estejamos mudando. Talvez a umbanda esteja mudando. 
Ou, quem sabe, a Umbanda e Exu sempre foram assim, nós que não compreendemos direito aquilo que está muito perto de nós, mas é tão diferente ao mesmo tempo.
Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver...
PS: O termo "Ganga" é muito utilizado dentro da hierarquia do Candomblé de Nação Angola. Ganga forma o nome dos muitos graus existentes dentro dessa hierarquia. "Nganga" era na antiga África o  feiticeiro, o sacerdote, o ritualista. Depois esse termo acabou por virar Ganga. É inclusive dessa raiz que muito provavelmente venha "Ganga - Zumba", o lendário rei dos Palmares, tio de Zumbi dos Palmares. Além disso, diz João do Rio em seu livro, "As Religiões no Rio", que "Ganga - Zumba" é como os negros Cambindas chamam uma divindade muito parecida com o Oxalá dos nagôs - yorubás. Por fim, ainda existe todo um culto afro - cubano denominado os "Santos Ganga", muito parecido com a Santeria Cubana.